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por Rudinei Borges

I

O blog no labirinto

Explicar a internet é enfrentar, em algum momento, o sentido do termo compexidade: aquilo que abrange ou encerra muitos elementos ou partes. A internet, o conjunto de redes de computadores ligadas entre si, é composta por páginas diversas: portais, sites e blogs. Trata-se de uma floresta emanharada, para lembrar a Amazônica. Um grande labirinto. Mas esta é a característica principal que torna a internet um espaço de liberdade de expressão e manifestação. Os horrores e as ideias geniais estão lá em forma de textos, vídeos, ensaios fotográficos, músicas: a convergência das mídias absolutamente instaurada.

Criei vários blogs, o que me permite apresentar artigos, crônicas, contos e poemas para inúmeros leitores. Algumas páginas, como Filosofia e Vertigem, alcançaram um número significativo de acessos e comentários. Há uma questão intrigante, quando pensamos o fenômeno blog: eles não são apenas diários virtuais, aglomeração de desabafos. O fato de geralmente o dono do blog ser o próprio editor gera um fenômeno óbvio até: o blog tem o perfil do dono. Porém, a maior parte dessas páginas são semelhantes aos sites – que não sei por qual razão ficaram com a fama da seriedade. Para publicar posts “sérios” é preciso ter um site é a ideia multiplicada por muitos. Isso não é verdade absoluta. Uma fonte alternativa de informações e notícias surge com os blogs de jornalismo, por exemplo. Pessoas dos lugares mais distantes postam notícias para o mundo, mostrando o que pensam. E como pensam. Acredito que o que vemos é um fenômeno de descentralização de poder no que diz respeito a quem é dono, de fato, das informações: as grandes empresas ou a mídia alternativa que surgiu com a internet? Eis a questão.

A literatura tem ganhado novos ares quando os escritores resolvem abolir as gavetas escuras e fechadas e colocar tudo às claras, com os blogs e o twitter. A música, o cinema e a fotografia têm recebido criações as mais variadas. E há sim produção de qualidade, arte de qualidade. É verdade que encontramos textos mal escritos, informações destorcidas, vídeos inúteis e músicas sem nenhum compromisso com o bom senso. No entanto, é preciso garimpar o labirinto, investigar o sentido do que é a complexidade da internet. É possível encontrar criações valorosas no universo que é a rede mundial de computadores.

II

O caso Cherry Bomb

Visitei um blog recém criado, o Cherry Bomb. O nome é inusitado e a priori posta uma promessa: “fotografias que mostram o quão linda você realmente é”. Trata-se de um blog de fotógrafas fotografando mulheres. O primeiro texto postado no dia 1 de outubro de 2010 é uma espécie de apresentação dos objetivos da página: mudar o olhar que cada mulher tem de si própria, atingindo assim um aumento da autoestima; mostrar que qualquer mulher, com qualquer forma física e em qualquer idade pode fazer um ensaio sensual e obter belas fotos; oferecer um ambiente confortável para o ensaio com equipe feminina e pequena; produzir um álbum exclusivo, feito de forma artesanal, um verdadeiro trabalho artístico. A missão das fotógrafas é monumental e pouco modesta. Talvez corajosa. Trata-se de um página com um objetivo artítico e comercial. É o escritório virtual das fotógrafas e, ao mesmo tempo, um espaço de divulgação de suas fotografias. Não há nada de diário em Cherry Bomb. Aliás, o nome “Cherry Bomb” é uma referência à banda The Runaways, composta somente por garotas em 1975. O título desta canção resume todos os ideais do projeto: emancipação feminina sem abandonar a essência da feminilidade. Ou seja, existe o desejo das editoras do blog de oferecer aos seus leitores certa preocupação com fundamentação da proposta. O que é bastante interessante.

Quando encontro um caso como o Cherry Bomb, pergunto-me qual será a duração do blog. Muitas bandas, artistas, pequenas empresas e escritores começam a sua vida virtual com um blog, mas quando alcançam sucesso, o projeto dá certo, eles partem para sites. Será que o blog é uma opção mediante a situação financeira. Quando não há dinheiro para montar um site, então opta-se pelo blog que é de graça? Há também casos de pessoas que continuam com os seus blogs, mesmo quando podem ter os melhores sites. O que vemos é um momento em que o blog permanece como um meio bastante utilizado e acessado.

Sobre o inusitado Chery Bomb, creio que o blog deve aos leitores a sua promessa: manifestar a beleza feminina através da fotografia. O resultado fotográfico carece de aprimoramento e mesmo de ousadia. Se o grande negócio é a fotografia, então é preciso investir na qualidade das fotos – uma vez que as alamedas deste labirinto estão cheias de blogs de fotografia.

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