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Por Sidnei Ferreira de Vares

A pulverização das certezas, ou como preferem alguns pensadores contemporâneos, das “metanarrativas”, torna “líquido” e corrente (para empregar a famosa expressão de Zygmund Bauman), aquilo que outrora era sólido e referencial.

 O que muitos denominam “pós-modernidade” corresponde ao fluxo de ideias e valores atomizados, que se entrechocam e se recriam numa velocidade absurda, possibilitando aos indivíduos uma multiplicidade de caminhos, de opções, e porque não de confusões.

É o mundo contemporâneo, que se erige a partir do esfacelamento do concretismo de muros – como o de Berlim-, e se mostra por meio de “avatares”, dando forma a uma sociedade imagética e não menos idiotizada. Alguns grupos sociais vão ao exaspero e bravejam contra a insensatez do mundo, objetivando exumar antiquadas fórmulas de experiências sociais passadistas, como se fosse possível, num movimento cirúrgico e arbitrário, transplantar antigos modelos  e negligenciar a historicidade.

“Os velhos deuses estão mortos”, dizia Durkheim. Algo bastante parecido com o “Deus está morto” de Nietzsche. Ambos prenunciaram o advento do indivíduo com valor absoluto, conquanto não tenham sido capazes, principalmente o primeiro, de visualizar o “desencantamento” do mundo e do próprio homem, como Kafka e Weber o fizeram.

A contemporaneidade pede passagem, ou melhor, força passagem. Comunitarismo virtual e isolacionismo social; convívio e solidão, riqueza e pobreza. As contradições aguçadas. É era dos extremos, nos diz Hobsbawm. Evidências mais do que transparentes a respeito do movimento centrífugo que nos engole a todos. Nem mais os livros são portos seguros diante dos e-books. Deixaram de ser aqueles “objetos transcendentes”, os quais podíamos “amá-los, do amor tátil, que votamos aos maços de cigarro” (conforme a música de Caetano). Se esfacelam diante da imagem, do simulacro, da representação.

Fernando Henrique Cardoso, disse certa vez: “sou cartesiano com uma pitada de candomblé”, para se referir ao sentimento confuso que toma os indivíduos hoje. Mas ainda assim, prefiro o emblemático “tudo que é sólido se desfaz no ar” de Marx. Vivemos numa “sociedade líquida”, que escorre pia a baixo? Futurologia barata! É o que nos restou!

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