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Por Sidnei Ferreira de Vares

Alguns veículos divulgaram  nesta segunda-feira que a procuradoria geral da nação vai investigar as ameaças à presidente Dilma Rousseff, postadas no Twiter após as festividades que marcaram sua posse. As mensagens, de teor discriminatório, pedem a um atirador de elite que mate a atual presidente e seu vice.

Claro, podemos afirmar que se trata de uma brincadeira de mau-gosto levada a cabo por gente que não sabe perder. De fato, numa democracia as divergências devem ser tratadas como naturais, pois fazem parte de um jogo onde discussões e embates são conseqüências da pluralidade de pensamentos e posições. Todavia, sempre há aqueles que acham que a verdade é um objeto que se pode encampar. Algumas pessoas acham que realmente detém o monopólio da verdade e, com isso, procuram desvalorizar as posições alheias. Um amigo sempre dizia que existiam três verdades: a minha, a sua e a verdadeira. Tendo a concordar com ele.

A criatura que escreveu as tais mensagens, provavelmente não consegue digerir a vitória de Dilma que, diga-se de passagem, foi honesta e inquestionável. Ora, descredenciar a presidente, e o pior, estimular atos de violência contra ela, é no mínimo descredenciar e violentar os mais de 50 milhões de brasileiros que a elegeram. Disso resulta o ciclo vicioso que relutamos a assumir, mas que infelizmente tem sido parte de nossa cultura política: defendo a democracia, desde que seja o meu candidato que ganhe. É verdade que avançamos bastante, ou seja, que aprendemos algumas coisas nas últimas décadas quanto ao jogo democrático. Mas, ainda assim, o peso da história, da tradição colonialista, paternalista, coronelista, etc., se faz presente quando pensamos em política no Brasil. Penso que algumas pessoas, principalmente ligadas às elites, não se conformam ao ver a popularidade de Lula (87% de aprovação ao seu governo) ou a ascensão de Dilma, ex-guerrilheira que lutou contra a ditadura. Daí o apelo: “Bem agora podia vir um atirador de elite e acertar a cabeça da Dilma, maldita”.

Só tenho uma coisa a dizer ao covarde agitador que escreveu isso, se é que vai ler essas linhas um dia: Não perca seu precioso tempo conclamando, agitando e fomentando a violência. Dilma não vai ser alvo de atirador nenhum. O Brasil a elegeu e poucos são aqueles, mesmo entre os que não votaram nela, que pensam como você. Numa democracia se perde e se ganha. É um jogo e como tal é que crescemos e aprendemos juntos.

Ademais, Dilma vai ter muito trabalho pela frente, pois terá que se desvencilhar dos disparos, provavelmente via imprensa, que serão efetuados pelos “atiradores da elite”, ou seja, aqueles poucos pertencentes às classes mais abastadas, que ainda arrastam o velho ranço contra o comunismo (como se ele tivesse um dia existido), e que vêem em Dilma a representação do mal. Esses disparos, certamente farão mais estragos, pois são mais perigosos, do que aqueles que supostamente partirão do “atirador de elite”. Nosso pobre amigo (não vou chamá-lo de inimigo para não reproduzir o discurso dele), anda assistindo muito filme de ação. Espero que fique só nisso!

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