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Por Sidnei Ferreira de Vares

 O sociólogo francês Émile Durkheim, nascido em 1858 e falecido prematuramente em 1917, é um dos mais representativos nomes da ciência sociológica, da qual muitos o consideram seu principal “arquiteto” e “herói fundador”. Se considerarmos seus esforços, no sentido de estruturar a nova ciência, que até aquele momento se encontrava dispersa e dependente de outras tantas áreas do conhecimento, podemos entender porque uma parte considerável dos especialistas o considera o fundador da sociologia, conquanto não tenha sido o primeiro a exercer as práticas do sociólogo. É que a escola durkheimiana, formada por um grupo de discípulos e estudiosos reunidos em torno de Durkheim, conseguiu gradualmente impor-se a outras correntes de pensamento e se consolidar como a principal voz da recém-chegada ciência social. Foi a partir da revista L ´Anneé Sociologique, fundada pelo mestre francês em 1898, que o grupo de intelectuais por ele conduzido se torna o principal expoente do pensamento sociológico na França, numa época em que a Terceira República procura, por meio de reformas políticas e sociais, superar as divergências que volta e meia ganhavam a cena na opinião pública, como foi o exemplar Caso Dreyfus. Durkheim, portanto, não só foi testemunha dos principais fatos políticos que marcaram a França após os eventos de 1870, como foi partícipe de grande parte desse processo, ainda que a sua atuação política não tenha sido direta, dado sua forte ligação com os meios acadêmicos.

Seu pensamento, importante para a compreensão do que denominamos de “sociologia clássica”, tornou-se uma espécie de referência para os neófitos no campo sociológico. Mas, se seus textos são quase obrigatórios nos cursos de sociologia, cumpre recordar que as interpretações acerca de suas idéias são bastaste discrepantes. A respeito disso, podemos afirmar que até meados de 1960, as interpretações correntes foram pouco benevolentes com os principais pontos defendidos pelo mestre francês. As exposições-padrão mais significativas no campo sociológico, e até mesmo textos mais aprofundados, o  tinham como um “conservador”, alguém preocupado com o tema da “ordem” social e francamente divorciado de qualquer tipo de expressão individual, já que “a” sociedade, que não se reduz a soma das partes que a compõe, tem primazia sobre os indivíduos. A soma desses aspectos foi extremamente perniciosa para o entendimento da obra desse autor, pois o rótulo do conservadorismo durante décadas foi muito forte.

Todavia, a partir dos anos 60, principalmente em virtude da publicação de alguns textos políticos de Durkheim uma década antes, novas leituras surgiram, clarificando aspectos até então pouco compreendidos na obra desse autor. Essa revisão ajudou a dirimir as críticas mais severas que recaíam sobre seu pensamento sociológico, demonstrando que Durkheim estava mais preocupado em entender as transformações ocorridas no desenvolvimento da modernidade, do que propriamente impor um modelo de sociedade ordenada e sem espaço para a criatividade dos indivíduos como muitas vezes se sustentou.

Atualmente, um grande número de pesquisadores tem se dedicado a estudar sua obra e, conquanto a academia tenha uma maior dedicação com autores como Weber e Marx, também expoentes da sociologia clássica, Durkheim saiu definitivamente do ostracismo e é hoje objeto de pesquisas bastante interessantes. No Brasil, o professor  Alexandre Massella e a pesquisadora Raquel Weiss têm se dedicado a pesquisar a obra desse autor, cuja importância para o pensamento social não pode ser desconsiderada.

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