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Por  Sidnei Ferreira de Vares

O cinema constitui uma arte inestimável. Sobre isso não tenho qualquer dúvida. Conquanto dialogue com outras manifestações da arte, tais como a fotografia, o teatro e a música, o cinema consegue não só sintetizá-las, como também é capaz de recriar a experiência humana num nível absolutamente inovador. Como uma expressão relacionada aos avanços tecnológicos, o cinema se reinventa a cada guinada dos recursos audiovisuais, mantendo certa sintonia com os avanços da modernidade. Entretanto, algumas obras não envelhecem. Os “clássicos”, como geralmente denominamos, são aqueles filmes cuja originalidade não se esgota. E ainda que a ciência abra novas possibilidades para o universo cinematográfico, os “clássicos” perpassam gerações e não perdem seu valor. Mas o que define um clássico? Penso que um clássico não é apenas um bom filme. Ele é muito mais do que isso. Um filme de boa qualidade geralmente reúne elementos que o projetam acima dos filmes comuns: o roteiro atraente, a atuação impecável dos atores, a boa iluminação e a direção eficiente, etc., são fatores essenciais para um bom resultado. Contudo, isso não garante que o filme venha a se tornar um clássico. Isto porque, o que chamamos de clássico, conta com algo a mais. Há certa química que o faz parecer um vinho: quanto mais conservado, melhor. Isso não significa que basta ser velho para ser um clássico. Há tantas velhacarias ruins como há péssimos filmes hoje em dia. O “conservado” a que me refiro, diz respeito à capacidade que o clássico tem de não perder sua essência e manter o diálogo sempre renovado com o espectador em que tempo for – demonstrando assim sua atualidade.

 

[O cineasta Ingmar Bergman]

Todavia, a linguagem fílmica tem pouca difusão num país como o Brasil. As discussões acerca da estética cinematográfica e suas relações com outras áreas do conhecimento ficam na maioria das vezes circunscritas a um grupo pequeno de pessoas (cinéfilos, críticos e especialistas). Nesse sentido, a iniciativa dos blogueiros cinéfilos Luiz Santiago (CINEBULIÇÃO) e Nelson Lopes Rodrigues (FILOCINÉTICA), constitui um avanço considerável. Ambos, num esforço bastante louvável, promovem por meio de seus blogs a oportunidade de se discutir cinema enquanto arte de fato. Utilizando aquilo que os meios tecnológicos e de comunicação proporcionam aos mais audazes, os dois jovens, o primeiro em São Paulo e o segundo na Bahia, têm se dedicado a escrever e a discutir cinema através de textos e análises de alta qualidade. Mas não é só. Agora, num esforço conjunto, os dois jovens cinéfilos, através do recém criado SELO INGMAR BERGMAN, decidiram premiar bimestralmente as três melhores páginas cujo interesse seja o cinema e a arte em geral. Tudo isso com vistas em formar uma grande coalizão em prol da divulgação da sétima arte. Essa é indubitavelmente uma ação inovadora e extremamente perspicaz, não só pelo fato de estar assentada no amor ao cinema, que justifica qualquer ação, mas principalmente por utilizar aquele que a meu ver é o espaço mais democrático no mundo contemporâneo, a saber, a WEB. Assim, não poderia ser outra a minha posição senão a de agradecer ao Luiz e ao Nelson por esse projeto tão bem arquitetado, que além de difundir a cultura fílmica se propõe a discutir suas múltiplas relações com a cultura. O SELO INGMAR BERGMAN é um bom desfecho para ano de 2010 e um ótimo anúncio para o de 2011. É CINEMA com todas as letras!

Obs.: Texto originalmente publicado nos Blogs Cinebulição e Filocinética.

[Confiram os referidos blogs especializados em cinema e com alta-qualidade]
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