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Por Sidnei Ferreira de Vares

O século XVIII e o século XXI começaram numa só tacada, nesse ano de 2011, para o mundo árabe. Digo isso, pois  as transformações políticas desencadeadas na Tunísia, Egito e mais recentemente na Líbia, são emblemáticas para a consolidação da democracia naquela região.

Mas, mais do que isso, os processos que acompanhamos não deixam de trazer um resquício, ainda que distante, do esclarecimento oitocentista, tal como o ocidente presenciou no final do século XVIII na França e cujos impactos se estenderam aos demais continentes, ameaçando a sociedade nobiliárquica vigente.

Nesse sentido, os atuais movimentos populares ocorridos nos referidos países são tributários do iluminismo, mas com uma diferença, a saber, o incremento da tecnologia, principalmente da internet, enquanto ferramenta fundamental na difusão de informações, o que identifica uma sintonia com a contemporaneidade.

Não há outra explicação possível: a conscientização e a luta dela decorrente coincidem com o advento da expansão das redes virtuais, o que modifica as antigas concepções geopolíticas e informacionais. Os encontros marcados nas principais praças, e que reuniram milhares de pessoas, formada principalmente por jovens, foram facilitados pelo acesso, ainda que controlado, à web. Isso demonstra a força dessa ferramenta no que se refere à comunicação.

Ainda assim, no caso da Líbia, uma ditadura que agora adquire contornos sanguinários, penso que o maior empecilho seja o embate com as forças repressivas do governo, que começam a apresentar sinais de desgaste, contribuindo para a aceleração das divisões internas, o que favorece a dissidência.

Como sabemos, a Líbia de Gaddafi, ao contrário do Egito de Hosnir Mubarak, procurou agir rápido, com o propósito de enfraquecer a revolução pela violência desmedida.  No caso estrito da Líbia, tudo passará por esse embate e pela força (ou ausência dela) repressiva do governo.

Torço muito para que a insistência popular, convertida em uma postura revolucionária, coloque os ditadores do oriente médio onde merecem estar: num passado distante, impresso nos manuais de filosofia política, na seção sobre o sempre antiquado e careta “despotismo oriental”.

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