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F. Nietzsche

Por Christiane Forcinito

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O primeiro livro em que Nietzsche escreve se refere a arte. Em “O nascimento da tragédia” ele explora a noção da dualidade de dois princípios artísticos: O “apolíneo” e o “dionisíaco”. O fio condutor do tema é a música e ele tem como objetivo encontrar uma resolução sobre o surgimento e o desaparecimento da tragédia grega.
 
A arte para Nietzsche é algo inerente a vida, isto é, partindo do pressuposto por ele analisado sobre a noção central de vontade de poder , a arte significa o que é a vida. E ele tem um compromisso tanto com a arte como com a vida unindo estas com a vontade como força motriz. Assim ele demonstra no primeiro parágrafo da obra aqui citada:
 
” Teremos ganhado muito a favor da ciência estética se chegarmos não apenas à intelecção lógica, mas à certeza imediata da introvisão de que o contínuo desenvolvimento da arte está ligado à duplicidade do “apolíneo” e do “dionisíaco”, da mesma maneira como a procriação depende da dualidade dos sexos, em que a luta é incessante e onde intervém periódicas reconciliações. Tomamos estas denominações dos gregos, que tornaram perceptíveis à mente perspicaz os profundos ensinamentos secretos de sua visão da arte, não, a bem dizer, por meio de conceitos, mas nas figuras de clareza penetrante de seu mundo dos deuses.”

Este texto é uma breve introdução e explicação da idéia de Nietzsche e a arte não só para a simples compreensão do leitor aqui, mas como também um resgistro meu a fim de que os textos aqui escritos contribuam para minha futura tese.
 
Nietzsche começa dissertando sobre o drama musical grego e onde há a oposição do dionisíaco ao apolíneo. Ele diz que viver o dionisíaco é experimentar o lado mais dramático da existência, ou seja, deixar-se viver pela exarcebação dos sentidos. O deus Dionísio é o deus do vinho e da festa, ou seja, o dionisíaco é o lado apolíneo com o pulsar cósmico da vida. Nela não há fronteiras e limites para a vida. É o instinto, a inspiração e a ação.
 
Segundo o filósofo, os deuses gregos eram necessários para os gregos, pois eles legitimava existência humana mostrando a vida sob uma ótica gloriosa. E com isso a arte grega cumpriria bem o seu papel ( como a arte deve ser segundo o autor) pois, transmitia ao receptor da arte a experiência estética do artista criador.

 O apolíneo e o dionisíaco faz parte da estética ativa nietzscheneana pois são observados como par fundamental de impulsos artísticos da natureza, o qual geram estados fisiológicos vitais, estados de sensibilidade tanto no artista quanto no que contempla a obra.

Uma questão que deve ser analisada é o fato do dionísíaco ser encarada apenas como o “lado bacanal” da vida e o apolíneo como o correto, certo, equilibrado. É aí que cometem-se erros na interpretação da filosofia da arte em Nietzsche, pois ambos andam de mãos dadas entre si como forças cósmicas que fazem parte da nossa vida e do nosso ser.
 
Ambas forças se referem a própria vida, isto é, aos ciclos da vida, como nascer, crescer, se subsistir, reproduzir e morrer. Para fazê-los sentir o que Nietzsche quis dizer eis uma citação de Goethe que se enquadra bem no que quis explicar até aqui:
 
“Nas ondas da vida, na tempestade das ações, subo e desço, teço aqui e ali, nascimento e morte, um mar eterno, uma vida de mudança! Assim crio no estrepitoso mar do tempo”

A principal questão da arte em Nietzsche é o também o poder instaurador da arte, assim como o artista é o divinizador da vida. A arte possui raízes profundas nas quais o intelecto não consegue chegar, isto é, segundo o filósofo, a linguagem da arte nasce de dentro para fora. O intelecto está contrário às coisas exteriores, que mesmo retirando as técnicas e fantasmas da experiência tentando de alguma forma racionalizar ou justificar, ainda assim não há como acessar suas fontes internas. 
 
A linguagem artística é a erupção da vida, o sentir das próprias forças cósmicas da vida. É o apolíneo e o dionisíaco, o Deus que dança, ou seja, é o homem que diviniza sua própria vida em um amor mais que incondicional a ponto de desejá-la que aconteça infinitas vezes a mesma alegria e a mesma dor no eterno retorno…
 
Em suma a arte em Nietzsche nada mais é do que um ode à vida e as forças que nos conduz. 
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