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Por Aline Saes

Em complemento à coluna do Prof. Sidnei, já publicada nesta seção, compartilho minha experiência na 7° Virada Cultural, cuja qual ainda não havia conhecido. Talvez tenha sido essa demora que dificultou convencer amigos de gostos semelhantes aos meus me acompanharem ao evento, mas eu não me faço de difícil. Minha curiosidade “antropológica” me despiu de exigências e me convenceu a aceitar o convite e a companhia da minha amiga Marina, muitíssimo atuante no movimento punk. No começo da noite, eu e o meu grupo tivemos uma prévia do que seria o tumulto do evento. Somente de passagem pelo palco “Tributo aos Beatles”, o empurra-empurra propiciava a “bateção” de carteiras, enquanto uma, duas, ou três pessoas passavam por nós desesperadas dando falta de seus pertences. Uma pequena parcela da noite me permitiu curtir ao meu estilo, abraçando desconhecidos inofensivos na “Dimensão Nerd”, e dançando Beatles no Shopping Light, onde conseguimos deixar nossas bolsas no chão sem maiores preocupações. Começava então nossa maratona ao tão esperado show do “The Misfits”, banda a qual até agora não sei pronunciar bem o nome, e sem desrespeitar os fãs, mas imensa minha frustração de ter trocado os festejos nordestinos que ocorriam no Sesc Consolação para acompanhar uma banda americana. No Largo Paissandu, fizemos uma parada para alguns amigos utilizarem os higiênicos banheiros químicos, enquanto eu e a outra parte, que desfrutava de suas inflacionadas cervejas, curtíamos o cenário. Fomos abordados por um grupo de garotos que queriam saber onde comprar cerveja. Muito simpática respondi, com um bom humor inapropriado para o horário e local; o rapaz, então, deduziu que eu também pudesse indicar onde adquirir “banana”. No ápice da minha inocência, perguntei: “Banana?”; o “pós-adolescente” decepcionado retrucou: “Eu sou ‘nóia’, então? Sua Patricinha!” Se não me falhem as contas, o rosto “sem-barba” daquele rapaz indica que eu sou formada a tempo suficiente para ter lhe dado aula ainda no ensino médio, e como educadora e cidadã que sou – praticamente um “dever cívico” – teria dado alguns sopapos e mandá-lo de volta pra casa. Mas, poupei-me dessa manifestação. Quanto mais nos aproximávamos do palco, bem localizado próximo à Cracolândia, a embriaguez alheia tornava-se mais notável. Não economizei esforços para vivenciar intensamente a oportunidade, entrando na multidão. Entre um “bate-cabeça” e outro, me surpreendi com a cordialidade de vários rapazes que me davam passagem e cobertura; muito gentilmente, também, me socorreram após uma bomba de efeito moral, conduzindo-me à margem da confusão. Um senhor – digo isso pela postura e não necessariamente pela idade -, percebendo nossa afinidade com o show, comentou: “Agradeçam por ainda não terem jogado urina para o alto!” Sem questionar, eu olhei para minha amiga e agradeci. A experiência enriqueceu minhas reflexões, e como atual estudante em Patrimônio e Cultura, fico imaginando quais estratégias adotar para que nossa Virada Cultural não se resuma a “macacos procurando bananas”.

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