Por Emerson Rossi

Notas breves para o ganho da forma e distribuição do conteúdo

 A maior parte das relações sociais estudadas são fenômenos de duplo estatuto, são tanto aspectos em transformação, como objetos de sistematizações; a representação política é o exemplo de hoje, em especial, suas características de relação de mútuo controle entre representados e representantes, o voto de (sentimento sociológico) de confiança e o espelhamento de interesses.

Como fenômeno dinâmico da realidade brasileira tem uma pauta urgente para funcionar bem fora das classes dominantes; um dos grandes itens desta pauta para que faça seu conteúdo ideológico consistente é a voluntariedade – uma identificação do estrato a ser representado com os seus representantes -, em síntese, é preciso para eleger a mãe dos pobres que as pessoas se vejam pobres e órfãos. Além do pertencimento também é necessário que haja um reconhecimento da disputa de interesses dentro do segmento, ou seja, certa visão de totalidade.

Depois de assimilada à identidade grupal e o reconhecimento da totalidade é possível pensar um grupo estabelecido para à luta política, que se beneficie de organização, tenha visibilidade, publicidade e financiamento para que seu capital cultural alcance a dimensão pretendida dentro das relações de poder formais e informais, pois é ingênuo pensar em constituir uma frente de luta política hoje, sem uma estrutura interna, sem projeção real e virtual e sem capital, afinal o mercado é junto com a internet outra grande esfera virtual em que vivemos regularmente.

Preencher todos estes critérios trás sim a confiança pública que é necessária para crescer, eleger representantes, ocupar espaços antes de outros, e fazer sua própria manutenção, todavia negligenciar a base e os pressupostos ideológicos leva aos efeitos colaterais da perdição ideológica que pode ser desde a criação de uma elite cujo ideário é apenas os interesses pessoais e de aquisição do capital, a perpetuação de violências físicas e simbólicas.

É evidente no Brasil como este voto de confiança foi quebrado, o controle mútuo foi vendido ou desapareceu e o projeto ideológico virou uma vitrine do marketing nas esferas maiores, porém nas microestruturas ainda há esperanças, mas para que elas se realizem é preciso a priori uma identificação, uma verdadeira politização que começa com: “EU SOU MULHER, EU SOU NEGRO, EU SOU LGBT, HÁ UMA LUTA, ELA TAMBÉM É MINHA E NÃO SERÁ VENDIDA!”

Anúncios