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por Emerson Rossi

No dia 17 de maio foi o dia internacional de combate à homofobia. Minha questão é se ainda faz sentido pensar a homoafetividade como um “amor” que não ousa dizer seu nome. Proponho para esta reflexão uma vislumbrada a peça homônima “O amor que ousa dizer seu nome”, a posição do STF, o avanço na TV aberta brasileira e toda a publicidade em torno da homossexualidade.

A peça de que falo faz um recorte de dois momentos da história em que discriminação e publicidade se relacionam do mesmo modo em dois casos distintos, em sociedades distintas, em épocas diferentes: O caso de Oscar Wilde (século XIX) e o caso do maníaco do Trianon (década de 1980): Wilde foi condenado a trabalhos forçados por seu “comportamento inadequado” e o michê maníaco do Trianon acusado por assassinar treze homens teve seu caso tratado com superficialidade. Segundo o teatro documental e intertextual que a peça realiza, em ambos os casos a homossexualidade foi alvo de discriminação, vergonha e publicidade viciosa.

O segundo evento a vislumbrar é a aprovação pelo STF de um padrão que equipara as relações estáveis homoafetivas às relações estáveis heterossexuais. Essa aprovação é fundamental para os direitos homossexuais brasileiros e surgiu de muita luta nas mais variadas esferas, como a Rua, a política e a privada. Mas, é a prova de que mesmo com a publicidade tendendo positivamente para a legitimidade deste afeto à discriminação ainda é forte. Uma força que levará muitos casais aos tribunais, pois formatar esse padrão caberá ao legislativo que tem sido a esfera mais resistente à legalização deste afeto.

O avanço na TV aberta que agora foi capaz de mostrar um beijo lésbico na televisão brasileira – uma notável instituição social deste país -, agora parece refletir a legitimidade deste afeto, que diga o que quiserem as alas resistentes, sim, possui uma legitimidade é real e esta na esfera privada brasileira, seja pela televisão que assume muitas vezes o compromisso com a verossimilhança ou no próprio cotidiano que é evidentemente composto por homossexuais e todas as pessoas que pertencem à categoria diversidade sexual.

Toda a publicidade concernente à homossexualidade desde que seja positiva é importante, pois este amor ousa dizer seu nome e ousa ter seu nome dito e esse discurso não é e nem precisa ser só oral, textual, político, ele pode ser sim consumo, demonstração públicas de afeto, pode ter as mais variadas formas, se políticas melhor ainda, mas evidenciando sua identidade sempre, pois o caminho da invisibilidade e da assimilação consistente, positiva e permanente passa pela autoafirmação e a demonstração do que sou, ou pelo menos foi assim que chegamos até aqui desde Stonewall (1969).

Serviço

O amor que (não) ousa dizer seu nome

Com Marcelo Braga e Alexandre Cruz. 60 min.

Local: Estação Caneca – Espaço Cultural Trilhas da Arte. Rua Frei Caneca, 384 – Consolação – SP (cafeteria com micro teatro ambos aconchegantes)

Quando: Sáb, 21h. Dom, 20h.Investimento: R$20.

16 anos. Até 28/05.


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