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Por Sidnei Ferreira de Vares

Poucos historiadores alcançam em vida o reconhecimento profissional. Isto se deve, por um lado, à ausência de uma cultura de valorização dos intelectuais no Brasil e, por outro, ao desconhecimento da profissão de historiador no Brasil. Uma exceção, porém, é Nelson Werneck Sodré. Nascido no Rio de Janeiro em 1911, Sodré se destacaria como um dos grandes pensadores brasileiros, ao lado Sérgio Buarque de Holanda, Darcy Ribeiro, Raimundo Faoro, Gilberto Freyre, entre outros. Sua obra, reconhecidamente uma das mais brilhantes e influentes da historiografia nacional, é composta de inúmeros trabalhos, entre os quais podemos mencionar História da Literatura Brasileira (1938), Panorama do Segundo Império (1939), Oeste — Ensaio sobre a Grande Propriedade Pastoril (1941), Formação da Sociedade, Brasileira (1944), O que se Deve Ler para Conhecer o Brasil (1945), A Ideologia do Colonialismo (1961), Formação Histórica do Brasil (1962), História Militar do Brasil (1965), As Razões da Independência (1965), História da Imprensa no Brasil (1966), Fundamentos da Economia Marxista (1968), Fundamentos do Materialismo Histórico (1969), Memórias de um Escritor (1970), entre outras, e sua última A farsa do neoliberalismo (1995). Essa vasta produção intelectual retraduz o verdadeiro espírito de seu autor: um homem cujo esforço em compreender o Brasil, do ponto de vista da história, foi seu lema. Aliás, mais do que um lema: um imperativo existencial. A militância política no PCB e a fidelidade ao marxismo, que nunca fez questão de esconder, conquanto sua trajetória também inclua a formação militar que recebeu na Escola da Praia Vermelha nos anos 30, sempre foram referenciais importantes às análises que empreendeu. O nacionalismo que defendeu junto ao ISEB (Instituto Superior de Estudos Brasileiros), do qual foi um dos membros mais atuantes, só comprova o papel que o Brasil ocupava entre as preocupações intelectuais as quais se dedicou. Seus ensaios – sempre em tom combativo, mas ao mesmo tempo em consonância com a sua visão de mundo – sempre ofereceram uma farta artilharia aos que discordam do modo de produção capitalista. Falecido em Itú no dia 13 de janeiro de 1999, Sodré completaria, nesse ano de 2011, 100 anos. Conquanto as críticas à perspectiva de análise do autor sejam constantes, é inegável que seus trabalhos trazem a tona uma série de mazelas que afetam a estrutura política, econômica e cultural do Brasil, que vêm de longa data. Daí a valorização do esforço intelectual de Sodré. E se, segundo o dito popular, “recordar é viver”, façamos todos desse dito uma realidade e recordemos o grande brasileiro que foi Sodré, iniciando por essa singela homenagem que nem de longe faz jus à grandiosidade de seu nome. Aos que não conhecem sua obra, insisto na importância de se conhecê-la com vistas a compreender melhor os processos políticos, econômicos e sociais que compõem e influem a história recente de nosso país.

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