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Por Sidnei Vares

Durante a baixa Idade Média, quando as guerras diminuíram, a nobreza de espada, costumeiramente ligada às artes militares, se viu lançada num grande vazio de sentido. Não por acaso, os torneios esportivos (os chamados festivais, onde combates eram realizados), se proliferaram com vistas a dar conta desse flagelo existencial. Assim, os nobres podiam rememorar tempos idos e gloriosos, onde a honra, simbolizada pelo brasão, constituía um valor inegociável, e as armas a única maneira de resguardá-la. Cito esse episódio da história com vistas a refletir sobre a nova geração de estudantes da FFCHL da USP. Estes parecem sofrer desse mesmo vazio, isto é, sentem saudades do que não puderam viver. A maior parte dos alunos revoltosos, que sempre se viu como uma espécie de aristocracia intelectual do campus, gostaria de ter vivido durante anos 60 e 70, no ápice do regime militar, só para contribuir com a “revolução”. Muitos chegariam ao orgasmo se tomassem um “safanão” de Fleury ou um “esculacho” de Erasmo Dias. Como não vivemos mais sob uma ditadura, invocam com saudosismo esse período e se esforçam para exumar a luta contra a tirania dos militares. Esses jovens têm saudades daquilo que não puderam viver (e alguns professores do que viveram). Talvez se criássemos um espaço, como na Idade Média, para que pudessem lutar com suas sandálias de couro, bolsas a tira-colo e camisetas do Che (por baixo de seus moletons da GAP), contra algum tirano, de preferência um representante do grande capital monopolista (sugiro Steve Jobbs, pois já não pode retrucar), só para sentir a virtual sensação  (como em seus IPods de última geração) de realizar uma revolução, certamente a frustração diminuiria e, quiçá, a revolta. E ao som de Bob Marley exclamaria algum revolucionário aluno: – Viva à queda da bastilha, quer dizer, da reitoria!

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